Bixiga ou Bexiga?

Um Bairro Afro-Italiano – Comunicação, cultura e construção de identidade étnica.

História do novo bairro do Bixiga, do antigo bairro do Bexiga e da Chácara do Bexiga.

Territórios Negros nas Cidades Brasileiras

saracural

VALE DO SARACURA

Vale do riacho Saracura em 1926.

Uma leprosa costumava banhar-se nas águas do Saracura. A notícia, de 26 de março de 1724, é a primeira alusão registrada sobre o ribeirão do Saracura, cognominado de “rio misterioso” por alguns cronistas antigos de São Paulo.
Chamado também de córrego do Tanque Reiuno, o Saracura nascia no morro do Caaguaçu (avenida Paulista) para vir desembocar, à esquerda do rio Anhangabaú, na altura do antigo largo da Memória, ao pé de onde hoje está a Estação Anhangabaú do Metrô. Tinha dois afluentes, o córrego Saracura Pequeno, e o Ribeirão do Bexiga que, após atravessar as atuais ruas Santo Amaro e Santo Antônio encontrava suas águas próximo ao final do seu trajeto.
Escravos fugidos aquilombavam-se às margens do Saracura. As capoeiras e capinzais em torno do Tanque Reiuno — formado pelo represamento natural do ribeirão — ofereciam esconderijos para quilombolas e malfeitores.
Os carros de bois e as tropas que conduziam mantimentos para São Paulo, vindos de Atibaia e de Parnaíba, como entravam na cidade pelo oeste, deviam estacionar na chácara do Bexiga, entre os rios Anhangabaú e Saracura, ordenava o governador Lorena, em 1791. As águas do Saracura viram o bairro do Bexiga nascer.
Duas ruas do Bexiga lembravam os nomes do Saracura, ou Saracura Grande, e do Saracura Pequeno. Saracura já foi o nome de uma região de São Paulo. E o primeiro trecho da avenida Nove de Julho chamava-se Caminho do Saracura, nos inícios do século XX.
A jusante do Saracura, imigrantes açorianos, chegados, no ano1878, desenvolveram, em terras de Mariano Antônio Vieira, o desaparecido bairro da Bela Cintra, que se localizava entre o do Bexiga, o Paraíso, e a avenida Paulista. Na parte mais alta, os açorianos erigiram uma capela sob a invocação do Divino Espírito Santo da Bela Cintra.
No seu Dicionário Geográfico da Província de São Paulo, João Mendes de Almeida diz que o nome Saracura do rio nada tem a ver com a ave. Em tupi, a palavra refere-se ”a formar alagadiços; e,não obstante, ser muito veloz no curso”.

TEXTO : Almanaque Paulistano
24/05/2011 Publicada por Srta. Eli Mendes em saudadesampa.nafoto.net

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